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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Palace Hotel será reformado





O Palace Hotel, na Rua Chile, vai passar por uma reforma e deve ser reaberto antes da Copa de 2014. De acordo com a Coluna Vip do Jornal Correio, o projeto assinado pelo arquiteto David Bastos, irá transformar o Palace em um hotel de charme, com serviço cinco estrelas.

Construído em 1934, o hotel já abrigou também um cassino em sua época de nobreza. Fechado há cerca de oito anos, o empreendimento chegou a ser comprado por um grupo português, que desistiu do negócio. 

Um dos novos investidores do imóvel é o empresário paulistano Antonio Mazzafera que ainda mantém os detalhes do projeto em segredo. Ainda de acordo com a Coluna Vip, o grupo também comprou outros imóveis na área, que com a chegada do luxuoso Hotel Fasano, deve passar por uma revitalização.

Fonte: http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/palace-hotel-sera-reformado-e-abrira-antes-da-copa-de-2014/?cHash=2c97902437efc21d1703d4b40455ec4a

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

OS COMPANHEIROS DE DOM OBÁ: OS ZUAVOS BAIANOS E OUTRAS COMPANHIAS NEGRAS NA GUERRA DO PARAGUAI


Por: Hendrik Kraay

                                                                         


Pouco depois de as tropas aliadas atravessarem o rio Paraná e invadirem o sul do Paraguai em abril de  1866, Francisco Otaviano de Almeida Rosa escreveu jubiloso, de Buenos Aires, ao ministro da guerra: “Um abraço pelos nossos triunfos. Vivam os brasileiros, sejam brancos, negros, mulatos ou caboclos! Vivam! Que gente brava!” O entusiasmo do diplomata brasileiro pelos feitos militares dos seus patrícios não brancos coloca a questão do impacto da guerra na política racial brasileira. Na época, o Brasil era a maior sociedade escravista nas Américas, com um milhão e meio de homens e mulheres escravizados. Mas pelo menos quatro milhões de afrodescendentes li-vres ou libertos viviam no país e constituíam dois quintos da população total de dez milhões de habitantes. O significado da grande mobilização militar para essa população afro-brasileira ainda permanece uma questão controvertida, mas relativamente pouco estudada. Decerto, homens negros dominavam as fileiras brasileiras, embora a propaganda paraguaia, que retratava todos os soldados brasileiros como “macacos”, exagerasse no seu apelo ao preconceito racial. Para muitos, notadamente o historiador Júlio José Chiavenato, o grande número de homens negros nas fileiras brasileiras evidencia uma política genocida propositalmente executada pelos comandantes que usavam esses soldados como bucha de canhão, especialmente depois do começo do recrutamento sistemático de escravos em fins de 1866.3 Outros ecoam a declaração de Otaviano e vêem a guerra como uma experiência racialmente compartilhada que forjou a nacionalidade nos campos de batalha.4 A história de Cândido da Fonseca Galvão, mais conhecido como Dom Obá II (o título iorubá por ele adotado no Rio de Janeiro na década de 1880), que serviu numa das companhias de zuavos (compostas de homens negros) criadas na Bahia em 1865-66, revela a complexidade da experiência de guerra para a população negra. Profundamente monarquista, Dom Obá destacava seu serviço ao imperador como evidência do seu pertencimento à nação brasileira, mas também publicava críticas sofisticadas da discriminação racial que ele e o resto da população negra enfrentavam.

Fonte: http://www.afroasia.ufba.br/pdf/AA_46_HKraay.pdf



PARA FAZER O DOWNLOAD DO ARTIGO COMPLETO DE HENDRIK KRAAY SOBRE OS COMPANHEIROS DE DOM OBÁ: OS ZUAVOS BAIANOS E OUTRAS COMPANHIAS NEGRAS NA GUERRA DO PARAGUAI, CLIQUE AQUI

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Revolta dos Malês

Guerreiros bantu ‘covardões’ liderados por um ‘submisso’ descendente de Shaka Zulu na guerra dos ‘pusilânimes’ zulus contra os ingleses em 1879. Sei lá. Não sei do que o João José Reis está falando.
A Revolta dos Malês foi um movimento que ocorreu na cidade de Salvador (província da Bahia) entre os dias 25 e 27 de janeiro de 1835. Os principais personagens desta revolta foram os negros islâmicos que exerciam atividades livres, conhecidos como negros de ganho (alfaiates, pequenos comerciantes, artesãos e carpinteiros). Apesar de livres, sofriam muita discriminação por serem negros e seguidores do islamismo. Em função destas condições, encontravam muitas dificuldades para ascender socialmente.



PARA FAZER O DOWNLOAD DO ARTIGO COMPLETO DE JOÃO JOSÉ REIS COMPLETO SOBRE A REVOLTA DOS MALÊS CLIQUE AQUI

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O CHEIRINHO GOSTOSO DO LANÇA PERFUME NO CARNAVAL DA BAHIA


Por Nelson Cadena



Muitos baianos já curtiam ou curtem um lança perfume no Carnaval. Em inícios do século XX, não passava pela cabeça de ninguém cheirar esse negócio. Lança perfume era um produto, então fabricado pela Rhodia, desodorizante com aroma semelhante ao L’Air dus Temps de Nina Ricci, produto fino para incrementar a paquera: jogava-se um cheirinho no cangote ou na orelha, assim meio distraído para disfarçar, mas nem tanto que deixasse passar despercebida a intenção.
Os lança-perfumes da Rhodia, chamados de Rodo, vinham embalados em vidro, em caixas contendo três unidades, e eram vendidos nos melhores magazines e armazéns da cidade. A propaganda caprichava nos apelos de venda estimulando o flerte como no anúncio do lança perfume Alice com o Pierrô cortejando a Colombina publicada na revista Única em Salvador.
Os lança-perfumes da Bayer disputavam-lhe espaço nas vitrines das lojas e nas páginas de propaganda das revistas. As marcas mais conceituadas eram Rodó, Alice, Flirt, Rigoletto e a substância era cloreto de etila.


Um dia alguém resolveu cheirar o produto, os fabricantes acrescentaram-lhe éter aos poucos e então o governo por decreto de Jânio Quadros e pressão do apresentador de TV Flávio Cavalcanti, proibiu em 1961 o seu uso. O lança perfume entrou na clandestinidade, deixou de ser fabricado por marcas tradicionais e passou a ser produzido no fundo de quintal e no Paraguai. E o decreto é obvio proibiu também a propaganda.



Fonte: http://www.ibahia.com/a/blogs/memoriasdabahia/2013/02/08/o-cheirinho-gostoso-do-lanca-perfume-no-carnaval-da-bahia/

O HOMEM QUE ENVIOU PARA A BAHIA MAIS DE 500 MIL ESCRAVOS


Por Nelson Cadena 

                                                  

                           Autor desconhecido. Francisco Felix de Souza, conhecido como Xaxá.


São grandes as chances do cidadão do retrato acima ter tido um papel determinante na sua vida, os secretos desígnios do sangue e da raça, ele responsável pelo envio de mais de 500 mil escravos do Golfo de Benin, para a Bahia no século XIX. O nome dele é Francisco Felix de Souza, conhecido como Xaxá, não se sabe até hoje se originário de Salvador, do Rio de Janeiro, ou de Portugal; em todo caso um personagem e tanto que chegou a ser considerado no seu tempo o homem mais rico do mundo.
O Xaxá viveu uma vida de fausto e esplendor, ainda que recluso pelas circunstâncias de sua profissão de comerciante de escravos. Não arriscava sair de sua feitoria para exibir sua riqueza nos salões da nobreza e dos potentados europeus. Temia a vigilância cerrada dos ingleses que desde 1807 policiavam, com relativo sucesso, o tráfico de seres humanos, apreendendo navios negreiros e estabelecendo multas, castigos diversos e prisão inclusive aos responsáveis e implicados.
O Xaxá era ele próprio um escravo no seu harém de fausto e esplendor, o ouro que possuía não podia sair do país e não tinha outra serventia a não ser a ostentação. Viveu como um Rei, exibindo grossas correntes de ouro no pescoço e numerosos anéis de brilhantes nos dedos e já idoso segurava na mão uma bengala com castão de ouro. Na mesa de jantar servia os convidados em rica porcelana chinesa, talheres de ouro, pratos de prata e copos talhados ornamentados com pedras preciosas.
Viveu como um monarca e morreu na hora certa, em 08 de maio de 1849, dois anos antes do último navio negreiro que aportou em Salvador: o Relâmpago. Este episódio marcou em definitivo o fim do comércio de seres humanos e se vivo fosse o Xaxá teria assistido a sua ruína, já que então possuía doze mil escravos para vender, ou seja, doze mil bocas para alimentar e doze mil corpos para cuidar e vestir, sem receita para cobrir os custos.
A sua morte repercutiu entre o governo e a elite da Bahia, em especial entre capitalistas, traficantes de escravos, capitães de navios e senhores de engenho; mas não menos do que no reino de Daomé (Benin) onde o Rei Ghézo enviou para seu funeral 80 Amazonas e quis sacrificar sete nativos na sua homenagem, rito este recusado pelo primogênito do Xaxá. Ao morrer deixou 51 mulheres viúvas (negras e mulatas) e mais de 80 filhos varões, um número inestimável de filhas mulheres e algumas centenas de netos.
O maior feitor de escravos que já existiu sobre a face da terra teve a Bahia como destino preferencial de seu comércio, em função dos convênios do privilégio da exportação de tabaco de refugo do Recôncavo para a África. Do Porto de Salvador saiam barcos contendo rolos de fumo que retornavam trazendo mão de obra escrava. E foi assim que centenas de milhares de africanos provenientes do Golfo de Benin aqui aportaram para viver e morrer, escravizados; para trabalhar e ter muitos filhos e descendentes que formaram a miscigenada família baiana.

Fonte: http://www.ibahia.com/a/blogs/memoriasdabahia/2013/02/13/o-homem-que-enviou-para-a-bahia-mais-de-500-mil-escravos/