quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Sertão Brasileiro




ENGENHO DE ITAMARACÁ (Detalhe em Mapa) - George Marcgraf - 1643

O holandês e naturalista George Marcgraf chegou ao Brasil para fazer parte dos projetos urbanísticos e ocupacionais do governador Maurício de Nassau e da Companhia de Comércio das  Índias Ocidentais, em Pernambuco. Essa produção tinha foco e objetivo: criar condição político-administrativa para o triunfo econômico. Desta forma os

mapas de Marcgraf eram instrumentos a serviço das tropas holandesas, facilitando o deslocamento entre as fortalezas espalhadas ao longo do litoral brasileiro, entre Alagoas e Ceará, para proteção da rica área produtora de açúcar.

Na imagem, fragmento cartográfico, é possível ver o engenho em toda sua força producente: a moagem da cana, o carro de boi sendo descarregado, as fornalhas depurando o caldo para preparação do açúcar. O pano fundo da imagem é a casa grande.


Fonte: http://www2.unopar.br/sites/museu/exposicao_sertoes/sertoes06.html

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Pretos de Ganho - Henry Chamberlain, 1822



19,9 x 27,9 cm 
Acervo Museu Castro Maya - RJ

A maior característica da obra de Chamberlain é demonstrar a inserção do negro na sociedade através do trabalho, independente da atividade desenvolvida. Em regra os negros de ganho eram escravos, embora na segunda metade do século XIX tenha crescido muito o número de homens livres, pardos ou não, a exercerem as funções comuns aos “negros de ganho”. Muitos anúncios explicitavam a preferência pela cor do prestador de serviço a ser contratado, sem predomínio dos elementos de origem européia. 
Na imagem vemos dois grupos de negros a transportarem dois barris de água; no primeiro grupo, com oito pessoas, temos o transporte do barril de água nos ombros com apoio de cordas e madeiras.
O segundo grupo, ao fundo, deslocando-se para a esquerda é formado por seis pessoas que, com a ajuda de um carrinho fazem o transporte de outro barril, também destinado ao abastecimento da água nas grandes cidades brasileiras, neste caso no Rio de Janeiro, cidade escassa de locais de boas águas perto do centro urbano.
O grande destaque desta obra é a não presença de elemento fiscalizador da atividade desenvolvida pelos negros de ganho, fato comum a atividade.

Fonte: http://www2.unopar.br/sites/museu/exposicao_negros/negro09.html

Litografia de Henrique Fleiuss, Semana Ilustrada, 1861


Tigreiros

Acervo Fundação Biblioteca Nacional


A inexistência de sistema de água e esgoto nas cidades brasileiras criou um grave problema: o que fazer com o abundante lixo produzido? Eram restos de comida, de animais e excrementos que careciam de uma destinação. O mais comum eram buracos abertos no fundo dos quintais, embora fosse prática contumaz o acúmulo dos restos em barris, denominados “tigres”, que ficavam o mais escondido possível em algum canto da casa, até atingirem condição de cheio. Neste momento recrutavam-se os préstimos dos escravos, denominados “tigreiros” para que os barris fossem levados para esvaziar nos rios próximos, ou no mar, cortando as ruas a deixar fedor notório, em meio ao ocultar da noite.
Os dejetos e “águas servidas”, como ficaram conhecidas as águas sujas, preocupavam as autoridades que buscavam regulamentar a prática, obrigando o uso de latrinas móveis e contendo tampas para diminuírem o mau cheiro e os riscos de doenças. Esta regulamentação foi alvo da charge afiada de Fleuiss, em 1861.

Fonte: http://www2.unopar.br/sites/museu/exposicao_negros/negro03.html

Aluá, Limões Doces e Cana-de-Açúcar




J. B. Debret, 1826 
Acervo Museu Castro Maya

Debret destacou-se pela forma alegre de inserir o negro na sociedade brasileira, em especial na cidade do Rio de Janeiro, sendo o grande responsável por construir o imaginário do cotidiano brasileiro, herdado do colonialismo português.
Nesta aquarela temos uma profusão de cores ao destacar as vestimentas das mulheres de ganho em suas atividades de comércio ambulante; cores que reforçam as expressões serenas e alegres, capazes de produzir dubiedade sobre as condições econômicas e sociais das mesmas. O fundo da tela retrata o centro da cidade do Rio de Janeiro, com pessoas nas portas das casas, uma carruagem a passar e o morro edificado ao fundo.
Aqui o autor usa cores suaves, negando-lhe um destaque maior, esvaziando sua importância, justamente para enfatizar e produzir destaque ao grupo em atividade cotidiana.
É preciso declinar o olhar e atenção ao título: Aluá é uma bebida refrescante, fermentada, consagrada como estimulante natural.


Fonte: http://www2.unopar.br/sites/museu/exposicao_negros/negro01.html

OS COMPANHEIROS DE DOM OBÁ: OS ZUAVOS BAIANOS E OUTRAS COMPANHIAS NEGRAS NA GUERRA DO PARAGUAI


Por: Hendrik Kraay

                                                                         


Pouco depois de as tropas aliadas atravessarem o rio Paraná e invadirem o sul do Paraguai em abril de  1866, Francisco Otaviano de Almeida Rosa escreveu jubiloso, de Buenos Aires, ao ministro da guerra: “Um abraço pelos nossos triunfos. Vivam os brasileiros, sejam brancos, negros, mulatos ou caboclos! Vivam! Que gente brava!” O entusiasmo do diplomata brasileiro pelos feitos militares dos seus patrícios não brancos coloca a questão do impacto da guerra na política racial brasileira. Na época, o Brasil era a maior sociedade escravista nas Américas, com um milhão e meio de homens e mulheres escravizados. Mas pelo menos quatro milhões de afrodescendentes li-vres ou libertos viviam no país e constituíam dois quintos da população total de dez milhões de habitantes. O significado da grande mobilização militar para essa população afro-brasileira ainda permanece uma questão controvertida, mas relativamente pouco estudada. Decerto, homens negros dominavam as fileiras brasileiras, embora a propaganda paraguaia, que retratava todos os soldados brasileiros como “macacos”, exagerasse no seu apelo ao preconceito racial. Para muitos, notadamente o historiador Júlio José Chiavenato, o grande número de homens negros nas fileiras brasileiras evidencia uma política genocida propositalmente executada pelos comandantes que usavam esses soldados como bucha de canhão, especialmente depois do começo do recrutamento sistemático de escravos em fins de 1866.3 Outros ecoam a declaração de Otaviano e vêem a guerra como uma experiência racialmente compartilhada que forjou a nacionalidade nos campos de batalha.4 A história de Cândido da Fonseca Galvão, mais conhecido como Dom Obá II (o título iorubá por ele adotado no Rio de Janeiro na década de 1880), que serviu numa das companhias de zuavos (compostas de homens negros) criadas na Bahia em 1865-66, revela a complexidade da experiência de guerra para a população negra. Profundamente monarquista, Dom Obá destacava seu serviço ao imperador como evidência do seu pertencimento à nação brasileira, mas também publicava críticas sofisticadas da discriminação racial que ele e o resto da população negra enfrentavam.

Fonte: http://www.afroasia.ufba.br/pdf/AA_46_HKraay.pdf



PARA FAZER O DOWNLOAD DO ARTIGO COMPLETO DE HENDRIK KRAAY SOBRE OS COMPANHEIROS DE DOM OBÁ: OS ZUAVOS BAIANOS E OUTRAS COMPANHIAS NEGRAS NA GUERRA DO PARAGUAI, CLIQUE AQUI